pesquisas

Cena de Jaguar (África 1967).
Etnoficcao dirigida por Jean Rouch.
A fatoficção.se
faz pesquisas que orientam um doutorado de fundamento
prático para o Departamento de Cinema e Artes
Cênicas da Universidade de Manchester, no Reino
Unido.
A etnoficção é o objeto
de estudo dessas pesquisas, as quais têm financiamento
do "The Arts and Humanities Research Board"
no Reino Unido. O resultado disso virá em 2007
na forma de uma tese de doutorado e dois filmes.
Título:
Etnoficção: gênero híbrido
em teoria e em pesquisa de fundamento prático.
Programa:
Doutorado de fundamento prático em Artes Cênicas
e Cinema.
Justificativa
O projeto de pesquisa em questão pretende
verificar se o pouco explorado gênero das etnoficções,
descrito pelo teórico e praticante Jean Rouch
(Eaton 1979; Rouch 2003), oferece os meios para integrar
um estudo híbrido entre artes cênicas,
cinema e etnografía. Uma das perguntas chave
é se uma comprensão complexa das culturas
estrangeiras pode ser criada e mediada combinando métodos
de pesquisa etnográfica com processos do trabalho
das artes cênicas. A pesquisa proposta é
baseada diretamente na minha experiência em ambos
os campos acima citados, pois trabalhei durante 15 anos
como ator e diretor em projetos de teatro intercultural
e sou formado em Antropologia Social com mestrado em
Antropologia Visual.
Projeto
de pesquisa
O projeto em questão será
um doutorado de fundamento prático intítulado:
"Etnoficção: gênero híbrido
em teoria e em pesquisa de fundamento prático",
o que o diferencia dos doutorados teóricos já
conhecidos. A etnoficção é um gênero
experimental de filmes etnográficos, em que o
pesquisador pede aos elementos da comunidade escolhida
como campo de trabalho que improvisem suas experiéncias
de vida em frente da câmera, como foi mostrado
em Jaguar (1967), um filme clásico de Rouch.
Há pouca bibliografia diponível sobre
a etnoficção, o que deixa muito espaço
para novas pesquisas. Pensando nisso, pretendo explorar
a improvisação combinada à observação
participativa como um possivel método de pesquisa,
algo já proposto por Rouch.
Seguindo um estudo detalhado da metodologia de Rouch
em etnoficção, vou testar os seus métodos
no segundo ano do doutorado, fazendo dois filmes: um
documentario etnográfico e uma etnoficção
sobre transsexuais e travestis brasileiras morando em
São Paulo. As transsexuais (homem - mulher) brasileiras
e travestis são homens que adotam uma aparência
femenina. Enquanto as transsexuais (homem-mulher) identificam-se
como mulheres, uma travesti brasileira não se
identifica como homem nem como mulher - identifica-se
como travesti. Transsexuais e travestis brasileiras
trabalham muitas vezes como prostitutas e sofrem intolerância
por parte da sociedade em geral.
O trabalho relata pesquisas preliminares que realizei
sobre grupos de transsexuais e travestis durante viagens
a São Paulo, com objetivo de preparar minha pesquisa
de doutorado. Tais grupos incluem o ENTLAIDS (um encontro
nacional de transsexuais e travestis) e organizações
regionais como a TRANSA SÃO PAULO e a ASTRA RIO.
A interdisciplinaridade permeia toda a pesquisa realizada,
pois a bibliografia utilizada foi colhida em várias
áreas, abranjendo Cinema, Antropologia Visual
e Teatro Aplicado Os textos básicos incluem o
trabalho de Boal (1979) sobre o teatro do oprimido;
as interpretações de Rony (1996) e Loizos
(1993) sobre prática em filmes etnográficos;
e pesquisa de Kulick (1998) e Jabor (1993) sobre travestis
em Brasil.
Bibliografia: BOAL, A. Teatro
do oprimido e outras poéticas políticas.
Rio de Janeiro. Civilização Brasileira.
2005. Edição revista; EATON,
M. Anthropology – Reality – Cinema.
London. BFI. 1979; JABOR, A. Os canibais estão
na sala de jantar. São Paulo. Siciliano.
1993; KULICK, D. Travestí. Chicago. University
of Chicago Press. 1998; LOIZOS, P. Innovation
in Ethnographic Film. Manchester. Manchester University
Press. 1993; RONY, F. The Third Eye. Durham.
Duke University Press. 1996. ROUCH, J. Ciné-ethnography.
Minneapolis. University of Minnesota Press. 2003.
Programa
Primeiro ano: Pesquisas preliminares, selecão
e estudo de bibliografia realizados na Universidade
de Manchester; Primeira viagem de pesquisa a São
Paulo; Conclusão de 20.000 palavras.
Segundo ano: Trabalho de campo e filmagem da
parte prática realizada em São Paulo;
Conclusão de mais 20.000 palavras.
Terceiro ano: Pós-produção
das filmagens; Conclusão das ultimas 10.000 palavras;
Revisão e entrega da tese.
Preparação
A escolha do Brasil como campo
para o meu trabalho se deve ao fato de que falo português
fluentemente, o que auxiliou o estabelecimento de contato
com vários colaboradores e profissionais em São
Paulo. Como concluí meu mestrado em Antropologia
Visual (Universidade de Manchester 2001), tenho habilidades
em cinema, as quais são necessárias para
a realização da parte prática da
minha pesquisa. Tais habilidades também incluem
o processo de edição de filmes, fato determinante
para o aproveitamento dos equipamentos de pós-produção
de vídeo do Centro de Mídia da universidade
à minha disposição. Como membro
da"Nordic Anthropological Film Association",
posso fazer uso das experiências dos colegas da
associação para obter retorno para as
minhas filmagens experimentais, durante a última
fase da minha pesquisa.
Contato:
Johannes Sjöberg
Rua Albuquerque Lins, 107 -
Apto 82 A
Santa Cecília - São Paulo - SP
CEP: 01230-900
Brasil
Celular : +55 (0)11 9144-6957
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